Mais sobre o desmonte da escola pública

Publicado originalmente no blog Periscópio, em 15 de março de 2008

A prefeitura do município onde trabalho deixou bem claro que lá a Educação é uma questão de grana.

Ano passado, o então secretário de Educação (que também era e é vice-prefeito) exigiu que as escolas reduzissem o índice de reprovação, porque o fracasso escolar gera despesas para o município, que tem que dar escola por mais tempo aos repetentes. Isso mesmo. A justificativa não foi sequer a necessidade de melhoria do aprendizado, o compromisso com os alunos, etc. Assumiram, no maior caradurismo, que encaram a escola como um negócio COM fins lucrativos.

Obrigaram as escolas a aprovar alunos que precisavam de mais de 30 pontos em Matemática e/ou Português, e neste ano comemoraram a diminuição do número de alunos reprovados. Sim, uma piada. Todos sabem que a melhoria no índice foi obtida por canetaço, às custas da aprovação artificial de alunos sem as mínimas condições de avanço.

Calma, leitor. Tudo sempre piora.

Durante as últimas férias de verão, o prefeito baixou o seguinte decreto: escolas com menos de 300 alunos não terão mais secretário, bibliotecário, vice-direção, supervisão e poderão ter no máximo UM servente para cuidar da limpeza e merenda. A justificativa é que “em escolas pequenas esses profissionais não são necessários porque a direção e os professores podem dar conta do recado.”

A próxima medida talvez seja demitir todos os professores e entregar a Educação aos Amigos da Escola.

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