Publicado originalmente no blog Periscópio, em 7 de maio de 2008
Enquanto o país se pergunta se Ronaldo bateu ou não bateu uma bolinha com os travestis nas três horas e meia em que ficaram todos num quarto de motel (a última informação é de que elas desmentiram tudo), um caso muito mais grave teve uma reviravolta inesperada:
O fazendeiro Vitalmiro Moura, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária americana Dorothy Stang, foi absolvido no seu segundo julgamento. No anterior, ele tinha não apenas sido considerado culpado, mas recebido a pena máxima: 30 anos de xilindró.
A pergunta que fica é: como pode a mesma pessoa receber num julgamento a pena máxima e em outro ser absolvida? Qual o critério utilizado pela Justiça para levar alguém do inferno ao céu ou vice-versa?
A resposta é assombrosa: as duas sentenças foram baseadas, ao que parece, apenas no testemunho de Rayfran das Neves Sales, o pistoleiro que confessou a autoria do crime. No primeiro julgamento, Rayfran declarou ter agido a mando de Vitalmiro; no segundo, negou tudo. O que o fez mudar de idéia entre um depoimento de outro? Em qual deles o jagunço disse a verdade?
Já que a Justiça errou neste caso (se no primeiro ou no segundo julgamento, não se sabe), quem garante que outras sentenças em que se confiou no depoimento de testemunhas também não foram tremendas injustiças? Quantos inocentes já foram condenados e quantos culpados já foram absolvidos sem que a verdade viesse à tona?